quarta-feira, 6 de junho de 2012



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vitrais no Brasil



Até a década de 1880 os vitrais que existiam no Brasil eram todos importados da Inglaterra, França e Alemanha, com preços muito altos.
Em São Paulo o artesão Conrado Sorgenicht, alemão que chegou no país em 1874, abre uma pequena oficina onde oferece serviços de pintura de ornamentos, tapeçaria e colocação de vidros para vidraças. Conrado Sorgenicht teve a idéia de decorar vidros lisos e transparentes com gravações à ácido e obteve excelentes resultados.
Lutava-se contra deficiências técnicas, não havia vidros planos, apenas em chapas, somente os vidros soprados de produção manual em pequenas dimensões.
O ateliê cresceu e começou a produção de vitrais. Em 1889, é fundada a Casa Conrado, especializada na atividade do vitral.
No começo os vitrais brasileiros tinham muita influência dos europeus, porém, começa a surgir uma tendência, o domínio gradual da temática brasileira, por volta do fim da 1° Guerra Mundial. Um dos primeiros trabalhos com essa temática foi o vitral da Bolsa do Café de Santos e São Paulo.



O Prédio da Bolsa do Café abriga o vitral feito por Benedito Calixto


Essas características são marcadas pela paleta de cores mais cores tropicais e uma narrativa da a história nacional: fundação de cidades, a borracha, o café, a mitologia indígena, a interpretação brasileira dos evangelhos, as flores e as frutas, etc. Tornam-se completamente diferentes dos europeus, que tinham menos movimento e outros conceitos.
Em 1922 isso se torna ainda mais evidente com a Semana de Arte Moderna e a Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência.
No mesmo ano chega ao país o italiano César Alexandre Formenti com o seu filho, o pintor Gastão Formenti que também passa a se dedicar aos vitrais no Rio de Janeiro.
As atividades de ateliês como o de Conrado Sorgenicht mais ainda os trabalhos realizados pelos Formentis, no Rio de Janeiro, Heinrich Moser em Pernambuco, Casa Genta e Veit no Rio Grande do Sul e ainda Manoel Castro Garcia e Urbam em São Paulo, levaram o Ministério da Fazenda, em 1935, a reconhecer que a produção nacional de vitrais era bastante satisfatória para abastecer o país e suspendeu a sua importação.




               Casa Conrado

Como foi ressaltado anteriormente, a Casa Conrado foi pioneira no país. Existem centenas de catedrais, matrizes, basílicas, capelas, colégios, faculdades, dispensários, sacristias, asilos, bibliotecas, mercados municipais, ministérios, fóruns, hospitais, orfanatos, cinemas, exposições industriais, casas missionárias, santas-casas de misericórdia, conventos, círculos operários e residência com vitrais Conrado por todo país. Não há nenhum estado que não possua ao menos uma obra projetada pela casa.
Nos anos de 1940, a Casa Conrado foi absorvida pela Companhia Comercial de Vidros do Brasil, CVB, que queria fazer um monopólio da produção de vidros no país. Porém, anos mais tarde a CVB fracassou e Conrado prosseguiu.
Há alguns anos, Conrado afirmava: “Nossa atividade, em momento algum, deixou de ser artesanal. (...) e por isso não existem dois vitrais iguais no país”. (Brandão, 1994)

TIME: A fórmula do Vitral
É a fórmula recomendada por Conrado Sorgenicht, para analisar a qualidade do vitral. T é o tema, I é a interpretação, M é a matéria prima e E é a execução.

No Mercado Municipal de São Paulo, são 55 vitrais, com temas referentes à agricultura brasileira e ao trabalhador do campo, realizados entre 1928 e 1933.







Heinrich Moser

Heinrich Moser nasceu em Munique na Alemanha em 1886. Veio para o Brasil em 1910 quando sua tia Júlia Doederlein, o convidou para projetar a Casa Alemã em Recife. Desde então não saiu mais do país.
Em 1821 comprou uma prensa (fieira) de chumbo alemã do século XVIII e finalmente entrou para o vitralismo. Um de seus primeiros trabalhos foi a Basílica do Carmo em Recife, quando ainda nem possuía o aparelhamento necessário. Além de vitrais, produzia murais, pinturas sobre teto, esculpia santos e desenhava altares.
Seus vitrais tinham as cores quentes do nordeste, as figuras típicas e a história, ao lado do sacro. Moser ainda lutava contra condições desfavoráveis, não tinha nascido dentro da arte do vitral, tudo que fazia demandava muitas pesquisas e experimentações.
Tinha um estilo muito peculiar, usava da experiência de muralista. Utilizava vidros plaqué para conseguir efeitos especiais, pois a película sobreposta era retirada com ácido e isto proporcionou inúmeras possibilidades ornamentais.
Heinrich Moser contribui também para a fundação da Escola de Belas Artes, além de ter sido mestre de uma série de grandes artistas como Lula Cardoso Ayres e Laerte Baldini.

Palácio Campo das Princesas, Recife

                                    Fonte: < http://brasilartesenciclopedias.com.br/>



Lorenz Heilmar

Em 1953 Lorenz embarcou para o Brasil e em Porto Alegre, Lorenz foi trabalhar em um estabelecimento com grande tradição vitralista, a Casa Genta, com trabalhos espalhados por todo estado.
A Casa Genta não concordava com gastos representados por vitrais fora do seu catálogo, o único trabalho original que Lorenz participou naquela época foi na Igreja do Rosário, Porto Alegre, junto a Benedito Calixto, o arquiteto. Lorenz então, se demitiu e acabou indo para Blumenau, Santa Catarina, onde o esperava um projeto grandioso: 800 metros quadrados de vitrais para a catedral.
Na época não existia vidro colorido no Brasil, mas os franciscanos tinham facilidades e influências e trouxeram tudo que foi pedido. A mão-de-obra veio da própria região. Depois retornou para Porto Alegre levando alguns de seus aprendizes e em 1956 abriu a Arte Sul. Até firmar-se na luta contra os grandes do ramo, Casas Genta e Veit, percorreu todos os cantos do Rio Grande do Sul.
Após alguns anos, o mercado na região Sul do país se retraiu e ele resolveu tentar São Paulo. Instalou-se na capital paulista, e após muita procura encontrou uma velha fábrica de cerâmica chamada Morumbi, onde a Arte Sul começou uma nova etapa. Mesmo com as restrições a importações e o monopólio que a CVB exercia, Lorenz resolveu fabricar vidro, ao mesmo tempo em que ganhou uma grande concorrência, a de criar os vidros para a catedral do Rio de Janeiro, eram 4 painéis de 70 metros por 20 metros
Catedral do Rio de Janeiro

                                         Fonte: < http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/>


Foi para Alemanha conhecer o funcionamento de grandes fábricas de vidro. Ao voltar a fábrica foi aberta e a produção iniciada, um incêndio destruiu todas as instalações e recomeçaram tudo. “Os Heilmairs criaram uma nova técnica para a junção dos vitrais da catedral, em concreto, por causa das grandes dimensões”. (Brandão, 1994) É a Técnica Dalle de Verre ou Slab Glass.
Voltaram para a região Sul do país e em Curitiba, Paraná, abriram a Vitralis, que alem de vitrais entrou no ramo de luminárias e divisórias, cuja base tinha a mesma estrutura do vitral. A Vitralis também fez o projeto dos vitrais para a Basílica de Aparecida, São Paulo.
Nos vitrais da Caixa Econômica Federal de Brasília (DF), Lorenz Heilmair teve a proposta de representar os estados e territórios brasileiros, em 1978. Ele escolheu uma cor diferente para cada região: o amarelo representa o Nordeste, a cor verde a região Centro-Oeste, a cor turquesa a região Sudeste, a cor azul a região Sul, vermelho a região Norte e a cor laranja os territórios. 

                                   Fonte: < http://hfanti.wordpress.com/>



Marianne Peretti

              Marianne Peretti descende de mãe francesa e pai pernambucano e cresceu em Paris no meio de artistas, poetas e jornalistas. Marianne tem seu ateliê em Olinda, Pernambuco, onde trabalha com diversos materiais, não somente vitrais e gosta muito de misturar técnicas.
            Um de seus projetos é o dos vitrais da Catedral de Brasília, considerado um dos maiores do mundo. Para desenhá-lo, ela usou o chão de um ginásio de esportes, o Nelson Nilson. Muitas vezes os desenhos tinham que ser retirados do ginásio, pois este tinha que ser devolvido ás funções originais. Isso fazia com que perdessem de 10 a 12 dias.
            São 16 vitrais de 130 metros quadrados cada um, com coluna no meio. Cada vitral tem 30 metros de altura e 10 metros na base. O trabalho durou 11 meses. Quem fabricou os vidros da Catedral de Brasília foi Emílio Zanon, no Rio Grande do Sul.
            Foram restaurados em 2010 e Marianne esteve presente durante a execução. 

Fonte:<http://adbr001cdn.archdaily.net/wpcontent/uploads/2011/12/1323952422_augusto_areal_2.jpg>



      Fonte: < http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg>



           Mais de 120 anos de arte vitralista no Brasil

No Brasil muitas pessoas vêm se dedicando a arte do vitral, mesmo que sejam vertentes como divisórias, luminárias, portas, janelas e eventuais restaurações. Mesmo assim, são poucos, pois um curioso levantamento revelou que somente no Rio Grande do Sul, entre igrejas, conventos e residências, existem mais de 6 mil vitrais esperando por restauradores. Sabe-se que o acervo brasileiro de vitrais é bastante grande, uma parte mínima foi restaurada, perdem-se obras valiosíssimas. Não se fez ainda o levantamento total do que possuímos.
Muitos estúdios que se dedicam a vitrais para residências trabalham com fibra de vidro, acrílico e plástico, técnicas que os vitralistas não consideram legítimas,  pois não possuem estrutura de chumbo nas junções e soldaduras além de serem elementos que sofrem muito com a ação do tempo. Na igreja de Osasco, em São Paulo, foi utilizada uma resina que no espaço de alguns anos perdeu todas as cores. O verdadeiro vitral permanece por milênios.
Segundo Luis Fernando Marques Nunes uma das causas do pouco conhecimento sobre vitrais no país pode ser a falta de Literatura sobre o assunto. É escassa em livrarias e completamente inexistente em bibliotecas. 
           
                                                                                                                                                                           

Referências Bibliográficas


BRANDÃO, Ignácio de Loyola, Luz no Êxtase: Vitrais e Vitralistas no Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 1994.

<http://adbr001cdn.archdaily.net/wpcontent/uploads/2011/12/1323952422_augusto_areal_2.jpg >Acesso em 18 abril 2012

< http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg > Acesso em 18 abril 2012

< http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/ > Acesso em 18 abril 2012

< http://brasilartesenciclopedias.com.br/ > Acesso em 19 abril 2012

< http://hfanti.wordpress.com/ >Acesso em 19 abril 2012

<http://www.piratininga.org/mercado_municipal/mercado_municipal_vitral.jpg> Acesso em 19 abril 2012

<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000109223>   Acesso em 2 junho 2012

<http://viajamos.com.br/photo/vitral-a-vis-o-de-anhanguera-bolsa-do-caf-santos-1> Acesso em 8 junho 2012


                                                                                  Marina Perfetto Sanes



segunda-feira, 23 de abril de 2012

VITRAIS MEDIEVAIS


O vitral como metáfora


A arte do vitral sempre ocupou um lugar especial na imaginação popular, que produz uma experiência estética inteiramente diferente do que a de qualquer outra arte a partir de afrescos, pinturas e iluminuras. O observador é impressionado pelo esplendor da cor brilhante produzida exclusivamente com o esplendor da luz.
A história do vitral está enraizada na arquitetura. Para o seu efeito, o vitral depende de um contexto espacial estrutural. A experiência de uma grande igreja vista do interior repleto de vitrais, brilhando com todo o tipo de jóia, era entendida como sendo a personificação do céu. Na Idade Média, as igrejas foram os locais de encontro do céu e da terra, santificados pela Virgem Maria. A pintura de Jan van Eyck “A Anunciação” retrata a presença milagrosa de Maria no santuário cercado por referências visuais de seu papel como mãe de Cristo e Rainha dos Céus. 

O vitral está intrinsecamente associada com o poder e o mistério da Igreja. Na cultura popular, a mera sugestão de vitrais é um código para um cenário religioso e a autoridade por trás dele. Os artistas da Disney, que animaram o filme de Victor Hugo “Corcunda de Notre Dame” usou a imagem de luz emitida a partir de vitrais na famosa catedral gótica para transmitir isso. A força do significado dos vitrais na imaginação popular não é susceptível de diminuir. A experiência convincente de uma catedral gótica, com vitrais, como a de Chartres, assegura sua atração continuada como destinos turísticos e sua natureza duradoura como um lugar para conexão espiritual. 

A ANUNCIAÇÃO
JAN VAN EYCK – GALLERY OF ART,
WASHINTON, DC.





ILUSTRAÇÃO DO FILME 
"CORCUNDA DE NOTRE DAME" 
DISNEY.





Vitral - Técnicas de vidro

As técnicas tradicionais de vitrais foram claramente estabelecida por volta do século XI, que segue até hoje. Detalhes do processo medieval, o mesmo usado por alguns artistas, são conhecidos a partir de um tratado técnico sobre as artes escritas por volta de 1100 por um monge alemão, Teófilo.
O processo começa com sílica, o principal componente da areia. Com a areia é misturada uma potássio de madeira de faia queimada (potash of burned beechwood) como um fundente para baixar o ponto de fusão da sílica. O uso da cal segue, para estabilizar a mistura.
O vidro Medieval foi feito em fornos de cúpula com um vaso de argila servindo como o base. Pó de óxidos metálicos, os mesmos utilizados para fazer tintas, foram adicionados ao vidro fundido para produzir uma gama relativamente estreita de cores: azul, purpura e verde.

Peças de vidro eram produzidos por meio de um cana que recolhia a massa quente do forno, utilizando dois métodos, cada um dos quais tem início com uma bola de vidro fundido em uma forma especial. A primeira, que produz o vidro de manga (muff glass),  levou peças feitas a partir de um cilindro de vidro separada da cana, que seria marcado e achatado ainda quando quente para produzir o vidro plano.
 A outra técnica, chamada de "Coroa " (Crown glass), começou como esferas sopradas e giradas, achatando o vidro pela força centrífuga.  Ambos são métodos demorados, acrescentando muito o custo de vitrais na Idade Média.

Um único painel pode ser constituída por centenas de peças individuais de vidro. As peças eram geralmente pequenas e, muitas vezes falhas, contendo muitas impurezas, bolhas e bordas irregulares. Estas imperfeições estão entre a atração especial do vitral medieval, conferindo-lhe uma característica unica de brilho e cor. Mais tarde, John La Farge e Tiffany introduziu imperfeições em suas criações. Da mesma forma, Frank Lloyd Wright usou  "vidro semeado"(seeded glass), assim chamado porque ele por incorpora pequenas bolhas que dispersam a luz, para criar uma qualidade de vibração.








PROCESSO DE PRODUÇÃO DO VIDRO




Vitral Românico: C. 1050-1150


Dependente do contexto arquitetônico para o seu desenvolvimento, os vitrais se tornam um destaque artístico até o design tradicional das igrejas ser radicalmente repensado no final do período românico. Provavelmente não é coincidência que nenhum exemplo intacto de vitrais tenha sobrevivido antes do século XI, que foi quando surgiram  novas circunstâncias culturais e teológicas,  favorecendo o crescimento da arte. Durante essa idade, aconteceram grandes mudanças culturais e intelectuais que conduziria a Europa da Idade das Trevas sem uma grande expansão de consciência. Para observadores contemporâneos, como o monge Cluniac Raoul Glaber,  parecia que o  mundo foi se refazendo.
O mais antigo exemplo de sobrevivência de vitrais, desde o Românico é a cabeça de Cristo da Abadia de Weissembourg,  perto da Alsácia.  A cabeça é pintada em vidro transparente, ou branco. A imagem é fortemente linear,  com aplicação da grisalha com traços grossos, quase grotescos, dispostos na parte dos olhos, cabelo e barba, assim como a veladura ocre que modela as sombras.
Entre a cabeça Wissembourg e o trabalho seguinte sobrevivente de vidro colorido encontra-se uma quantidade considerável de tempo. Um grupo de quatro profetas da Catedral de Augsburg, sobrevive fora de um conjunto maior que data do século XI ou início do século XII.

Ao longo do séculoXII, uma segunda onda de prédios da igreja românica que começou principalmente envolveu a construção de catedrais. Os vitrais românicos atingiram o seu pico com os projetos de mudança da arquitetura eclesiástica no século XII.  

HEAD OF CHRIST 
MUSÉE DE L’OEUVRE DE NOTRE DAME 
STRASBOURG, FRANCE 






THE PROPHETS 
CATHEDRAL OF SAINT MARY
AUGSBURG, GERMANY





   Vitrais Góticos
A dualidade da luz e história

O desenvolvimento de vitrais no período gótico é precedida por uma longa história  mal documentada.
Na nova forma, o opaco, arte estática pictórica da antiguidade foi transformada em imagens carregadas com o princípio a luz.
A qualidade luminosa dos vitrais corresponderam aos conceitos metafísicos de luz e espiritualidade desenvolvidas pelos primeiros teólogos cristãos. O Vitral foi visto como um mediador entre os reinos terrenos e divinos. A aura de luz colorida foi facilmente interpretada como uma manifestação metafórica da força divina e do amor. E também era completamente interligado para que os telespectadores entende-se em a representação de uma imagem ou uma história com o que eles sentiam que era a fonte sublime de significado para a história. 



A origem  do estilo gótico


A primeira vez em que houve uma retratação bem diferente de temas espirituais foi aproximadamente em 1144 graças à luz e cor que desempenharam um novo papel, enfatizando a imagem de “reino divino” em capelas e ambientes afins.

BASÍLICA DE ST. DENIS
Situada em Paris e construída no século VII, passou por alterações, assim sendo considerada o primeiro edifício verdadeiramente gótico. As reconstruções não tiraram sua beleza excepcional. As janelas retratam a vida de alguns santos, de uma forma sequencial lógica de acontecimentos importantes, o que marca uma diferença da exposição de imagens religiosas em vitrais. Estes equivalem a textos visuais explicando as experiências terrenas de figuras sagradas no cristianismo.
O esquema de cores é complexo, há uma ênfase marcante na vida terrena, dando as cenas uma realidade viva.
Os vitrais são incorporados a Basílica graças as suas modificações estruturais, com a eliminação de paredes entre as colunas de apoio, que possibilitaram a combinação de iluminação divina com luz natural. Foi também o primeiro edifício a conter rosáceas. 



A catedral gótica: 1200-1250


A ascensão das grandes catedrais góticas foi em um dos períodos mais dinâmicos da civilização ocidental. O lado espiritual da época era forte e vibrante, a essência da inteligência divina foi sentida para ser assim trazida do céu e derramada sobre a humanidade. Uma força e fé mais potente ainda com a veneração de Maria como a Mãe de Cristo, sempre simpática e amorosa universalmente, considerada então como a “Rainha dos céus”.
A maioria das catedrais foram iniciadas no séc. XIII e muitas sobrevivem até hoje.
Como já retratado, a estrutura arquitetônica gótica diferencia-se da românica por possuir aberturas entre os pilares ao eliminar os suportes, promove à luz uma síntese dinâmica, tipicamente medieval.




ROSÁCEA
BASÍLICA ST. DENIS, PARIS


BASÍLICA ST. DENIS, PARIS







Catedral de Chartres


A catedral de Chartres situada na França é o exemplo mais antigo do pleno desenvolvimento da arquitetura gótica. Após passar por um incêndio em 1194 e ser destruída toda praticamente, foi reconstruída e finalizada em 1220.
Apesar de estar no contexto gótico, ela não possuía aberturas nas paredes, o que resulta em uma escuridão notável em seu interior.
A maior parte do vidro contido na catedral data-se do século XIII, e os temas retratados em seus vitrais são variados conforme os interesses dos doadores. Um terço das janelas foi pago por guildas das cidades, nessas janelas o sagrado e o profano se encontram e fundem-se. A qualidade de vida e o ambiente comercial e urbano são decisivos para essas doações. O restante das doações foi feito por eclesiásticos e pela realeza francesa. São janelas vibrantes e em grande escala, modelo seguido pelas igrejas mais importantes construídas posteriormente.
Uma das maiores glórias de Chartres são as rosáceas, obras altamente complexas, tanto na técnica quanto em sua simbologia. O assunto geral retratado é Maria ou Cristo no céu, sempre no centro de uma série de símbolos organizados concentricamente. Foram pensadas como os “olhos do céu”, tanto pela luz, como para os papéis de Cristo e Maria ao disseminar todo o conhecimento e a salvação.


CHARTRES CATHEDRAL 
CHARTRES- FRANCE


CHARTRES CATHEDRAL 
CHARTRES- FRANCE





O ESTILO RADIANTE OU GÓTICO TARDIO

Concentraram-se em Paris os maiores talentos franceses reunidos pela corte Francesa durante o reinado de Luís IX no início do século XIII. A apreciação da arte como experiência vital dava seus primeiros indícios.
As janelas tomam a maior proporção possível. O esquema rendilhado que preenche o topo das janelas junto à grades é complexo e altamente ornamentado. Um sistema fortemente linear e vertical.
Cores densas e saturadas são substituídas por tons mais leves e menos contrastantes.
Esse estilo refletia a cultura urbana sofisticada da Corte Real de Paris, o refinamento do vitral foi rapidamente espalhado para terras germânicas, Europa central e Espanha.
Os vitrais produzidos em larga escala, espalharam-se em duas ou mais áreas da janela, fato que permitiu mais luz para a catedral.
A liberdade dos artistas era como se fosse proporcional a extensão das janelas. Assumindo cada vez mais um caráter decorativo.
Um estilo que sem dúvidas predomina na grandiosidade da história dos vitrais.

SAINT-CHAPELLE 
PIERRE DE MONTREUIL
PARIS, FRANCE





BIBLIOGRAFIA

 Wyli, Elizabeth e Sheldon Cheek - The aet of stained and decorative glass.
http://www.vitrais-westminster.com.br/nt_html/29.html  > acessado em 18 de abril de 2012 ás 15:00






por Chayene Ferreira e Priscilla Pinheiro