quarta-feira, 6 de junho de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Vitrais no Brasil
Até a década de 1880
os vitrais que existiam no Brasil eram todos importados da Inglaterra, França e
Alemanha, com preços muito altos.
Lutava-se contra
deficiências técnicas, não havia vidros planos, apenas em chapas, somente os
vidros soprados de produção manual em pequenas dimensões.
O ateliê cresceu e
começou a produção de vitrais. Em 1889, é fundada a Casa Conrado, especializada
na atividade do vitral.
No começo os vitrais brasileiros
tinham muita influência dos europeus, porém, começa a surgir uma tendência, o
domínio gradual da temática brasileira, por volta do fim da 1° Guerra Mundial.
Um dos primeiros trabalhos com essa temática foi o vitral da Bolsa do Café de
Santos e São Paulo.
O Prédio da Bolsa do Café abriga o vitral feito por Benedito Calixto
Essas características
são marcadas pela paleta de cores mais cores tropicais e uma narrativa da a
história nacional: fundação de cidades, a borracha, o café, a mitologia
indígena, a interpretação brasileira dos evangelhos, as flores e as frutas, etc.
Tornam-se completamente diferentes dos europeus, que tinham menos movimento e
outros conceitos.
Em 1922 isso se torna
ainda mais evidente com a Semana de Arte Moderna e a Exposição Comemorativa do
Primeiro Centenário da Independência.
No mesmo ano chega ao
país o italiano César Alexandre Formenti com o seu filho, o pintor Gastão
Formenti que também passa a se dedicar aos vitrais no Rio de Janeiro.
As atividades de ateliês como o
de Conrado Sorgenicht mais ainda os trabalhos realizados pelos Formentis, no Rio
de Janeiro, Heinrich Moser em Pernambuco, Casa Genta e Veit no Rio Grande do
Sul e ainda Manoel Castro Garcia e Urbam em São Paulo , levaram o
Ministério da Fazenda, em 1935,
a reconhecer que a produção nacional de vitrais era
bastante satisfatória para abastecer o país e suspendeu a sua
importação.
Casa Conrado
Como foi ressaltado anteriormente,
a Casa Conrado foi pioneira no país. Existem centenas de catedrais, matrizes,
basílicas, capelas, colégios, faculdades, dispensários, sacristias, asilos,
bibliotecas, mercados municipais, ministérios, fóruns, hospitais, orfanatos,
cinemas, exposições industriais, casas missionárias, santas-casas de misericórdia,
conventos, círculos operários e residência com vitrais Conrado por todo país.
Não há nenhum estado que não possua ao menos uma obra projetada pela casa.
Nos anos de 1940, a Casa Conrado foi
absorvida pela Companhia Comercial de Vidros do Brasil, CVB, que queria fazer
um monopólio da produção de vidros no país. Porém, anos mais tarde a CVB
fracassou e Conrado prosseguiu.
Há alguns anos, Conrado afirmava:
“Nossa atividade, em momento algum, deixou de ser artesanal. (...) e por isso
não existem dois vitrais iguais no país”. (Brandão, 1994)
TIME: A fórmula do Vitral
É a fórmula recomendada por
Conrado Sorgenicht, para analisar a qualidade do vitral. T é o tema, I é a
interpretação, M é a matéria prima e E é a execução.
No Mercado Municipal de São
Paulo, são 55 vitrais, com temas referentes à agricultura brasileira e ao
trabalhador do campo, realizados entre 1928 e 1933.
Heinrich Moser
Heinrich Moser nasceu em Munique
na Alemanha em 1886. Veio para o Brasil em 1910 quando sua tia Júlia
Doederlein, o convidou para projetar a Casa Alemã em Recife. Desde então
não saiu mais do país.
Em 1821 comprou uma prensa (fieira)
de chumbo alemã do século XVIII e finalmente entrou para o vitralismo. Um de
seus primeiros trabalhos foi a Basílica do Carmo em Recife, quando ainda nem
possuía o aparelhamento necessário. Além de vitrais, produzia murais, pinturas
sobre teto, esculpia santos e desenhava altares.
Seus vitrais tinham as cores
quentes do nordeste, as figuras típicas e a história, ao lado do sacro. Moser
ainda lutava contra condições desfavoráveis, não tinha nascido dentro da arte
do vitral, tudo que fazia demandava muitas pesquisas e experimentações.
Tinha um estilo muito peculiar,
usava da experiência de muralista. Utilizava vidros plaqué para conseguir efeitos especiais, pois a película sobreposta
era retirada com ácido e isto proporcionou inúmeras possibilidades ornamentais.
Heinrich Moser contribui também
para a fundação da Escola de Belas Artes, além de ter sido mestre de uma série
de grandes artistas como Lula Cardoso Ayres e Laerte Baldini.
Palácio Campo das Princesas,
Recife
Fonte: < http://brasilartesenciclopedias.com.br/>
Lorenz Heilmar
Em 1953 Lorenz embarcou para o
Brasil e em Porto Alegre, Lorenz foi trabalhar em um estabelecimento com grande
tradição vitralista, a Casa Genta, com trabalhos espalhados por todo estado.
A Casa Genta não concordava com
gastos representados por vitrais fora do seu catálogo, o único trabalho
original que Lorenz participou naquela época foi na Igreja do Rosário, Porto
Alegre, junto a Benedito Calixto, o arquiteto. Lorenz então, se demitiu e
acabou indo para Blumenau, Santa Catarina, onde o esperava um projeto
grandioso: 800 metros quadrados
de vitrais para a catedral.
Na época não existia vidro
colorido no Brasil, mas os franciscanos tinham facilidades e influências e
trouxeram tudo que foi pedido. A mão-de-obra veio da própria região. Depois
retornou para Porto Alegre levando alguns de seus aprendizes e em 1956 abriu a
Arte Sul. Até firmar-se na luta contra os grandes do ramo, Casas Genta e Veit, percorreu
todos os cantos do Rio Grande do Sul.
Após alguns anos, o mercado na
região Sul do país se retraiu e ele resolveu tentar São Paulo. Instalou-se na
capital paulista, e após muita procura encontrou uma velha fábrica de cerâmica
chamada Morumbi, onde a Arte Sul começou uma nova etapa. Mesmo com as
restrições a importações e o monopólio que a CVB exercia, Lorenz resolveu
fabricar vidro, ao mesmo tempo em que ganhou uma grande concorrência, a de
criar os vidros para a catedral do Rio de Janeiro, eram 4 painéis de 70 metros por 20 metros .
Catedral do Rio de Janeiro
Fonte: < http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/>
Foi para Alemanha conhecer o
funcionamento de grandes fábricas de vidro. Ao voltar a fábrica foi aberta e a
produção iniciada, um incêndio destruiu todas as instalações e recomeçaram tudo.
“Os Heilmairs criaram uma nova técnica para a junção dos vitrais da catedral,
em concreto, por causa das grandes dimensões”. (Brandão, 1994) É a Técnica Dalle de Verre ou Slab Glass.
Voltaram para a região Sul do
país e em Curitiba, Paraná, abriram a Vitralis, que alem de vitrais entrou no
ramo de luminárias e divisórias, cuja base tinha a mesma estrutura do vitral. A
Vitralis também fez o projeto dos vitrais para a Basílica de Aparecida, São
Paulo.
Nos vitrais da Caixa Econômica
Federal de Brasília (DF), Lorenz Heilmair teve a proposta de representar os
estados e territórios brasileiros, em 1978. Ele escolheu uma cor diferente para
cada região: o amarelo representa o Nordeste, a cor verde a região
Centro-Oeste, a cor turquesa a região Sudeste, a cor azul a região Sul,
vermelho a região Norte e a cor laranja os territórios.
Fonte: < http://hfanti.wordpress.com/>
Marianne Peretti
Marianne
Peretti descende de mãe francesa e pai pernambucano e cresceu em Paris no meio
de artistas, poetas e jornalistas. Marianne tem seu ateliê em Olinda,
Pernambuco, onde trabalha com diversos materiais, não somente vitrais e gosta
muito de misturar técnicas.
Um de seus
projetos é o dos vitrais da Catedral de Brasília, considerado um dos maiores do
mundo. Para desenhá-lo, ela usou o chão de um ginásio de esportes, o Nelson
Nilson. Muitas vezes os desenhos tinham que ser retirados do ginásio, pois este
tinha que ser devolvido ás funções originais. Isso fazia com que perdessem de 10 a 12 dias.
São 16
vitrais de 130 metros quadrados
cada um, com coluna no meio. Cada vitral tem 30 metros de altura e 10 metros na base. O
trabalho durou 11 meses. Quem fabricou os vidros da Catedral de Brasília foi
Emílio Zanon, no Rio Grande do Sul.
Foram restaurados em 2010 e Marianne
esteve presente durante a execução.
Fonte: < http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg>
Mais de 120 anos de arte
vitralista no Brasil
No Brasil muitas pessoas vêm se
dedicando a arte do vitral, mesmo que sejam vertentes como divisórias,
luminárias, portas, janelas e eventuais restaurações. Mesmo assim, são poucos,
pois um curioso levantamento revelou que somente no Rio Grande do Sul, entre
igrejas, conventos e residências, existem mais de 6 mil vitrais esperando por
restauradores. Sabe-se que o acervo brasileiro de vitrais é bastante grande, uma
parte mínima foi restaurada, perdem-se obras valiosíssimas. Não se fez ainda o
levantamento total do que possuímos.
Muitos estúdios que se dedicam a
vitrais para residências trabalham com fibra de vidro, acrílico e plástico,
técnicas que os vitralistas não consideram legítimas, pois não possuem estrutura de chumbo nas
junções e soldaduras além de serem elementos que sofrem muito com a ação do
tempo. Na igreja de Osasco, em
São Paulo , foi utilizada uma resina que no espaço de alguns
anos perdeu todas as cores. O verdadeiro vitral permanece por milênios.
Segundo Luis Fernando Marques
Nunes uma das causas do pouco conhecimento sobre vitrais no país pode ser a falta
de Literatura sobre o assunto. É escassa em livrarias e completamente
inexistente em bibliotecas.
Referências Bibliográficas
BRANDÃO, Ignácio de Loyola, Luz
no Êxtase: Vitrais e Vitralistas no Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas,
1994.
<http://adbr001cdn.archdaily.net/wpcontent/uploads/2011/12/1323952422_augusto_areal_2.jpg
>Acesso em 18 abril 2012
< http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg
> Acesso em 18 abril 2012
< http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/
> Acesso em 18 abril 2012
< http://brasilartesenciclopedias.com.br/
> Acesso em 19 abril 2012
< http://hfanti.wordpress.com/
>Acesso em 19 abril 2012
<http://www.piratininga.org/mercado_municipal/mercado_municipal_vitral.jpg>
Acesso em 19 abril 2012
<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000109223> Acesso em 2 junho 2012
<http://viajamos.com.br/photo/vitral-a-vis-o-de-anhanguera-bolsa-do-caf-santos-1> Acesso em 8 junho 2012
Marina Perfetto Sanes
segunda-feira, 23 de abril de 2012
VITRAIS MEDIEVAIS
O vitral como metáfora
A arte do vitral sempre ocupou um lugar
especial na imaginação popular, que produz uma experiência estética inteiramente diferente do que a de qualquer
outra arte a partir de afrescos, pinturas e iluminuras. O observador é
impressionado pelo esplendor da cor brilhante produzida exclusivamente com o
esplendor da luz.
A história do vitral está enraizada na arquitetura. Para o
seu efeito, o vitral depende de um contexto espacial estrutural. A experiência
de uma grande igreja vista do interior repleto de vitrais, brilhando com todo o
tipo de jóia, era entendida como sendo a personificação do céu. Na Idade Média, as
igrejas foram os locais de encontro do céu e da terra, santificados pela Virgem
Maria. A pintura de Jan van Eyck “A Anunciação” retrata a presença milagrosa de
Maria no santuário cercado por referências visuais de seu papel como mãe de
Cristo e Rainha dos Céus.
O vitral está intrinsecamente associada com o poder e o
mistério da Igreja. Na cultura popular, a mera sugestão de vitrais é um código
para um cenário religioso e a autoridade por trás dele. Os artistas da Disney,
que animaram o filme de Victor Hugo “Corcunda de Notre Dame” usou a imagem de
luz emitida a partir de vitrais na famosa catedral gótica para transmitir isso.
A força do significado dos vitrais na imaginação popular não é susceptível de
diminuir. A experiência convincente de uma catedral gótica, com vitrais, como a
de Chartres, assegura sua atração continuada como destinos turísticos e sua
natureza duradoura como um lugar para conexão espiritual.
A ANUNCIAÇÃO
JAN VAN EYCK – GALLERY OF ART,
WASHINTON, DC.
ILUSTRAÇÃO DO FILME
"CORCUNDA DE NOTRE DAME"
DISNEY.
Vitral - Técnicas de vidro
As técnicas tradicionais de vitrais foram
claramente estabelecida por volta do século XI, que segue até hoje. Detalhes do processo medieval,
o mesmo usado por alguns artistas, são conhecidos a partir de um tratado
técnico sobre as artes escritas por volta de 1100 por um monge alemão, Teófilo.
O processo começa com sílica, o principal componente da
areia. Com a
areia é misturada uma potássio de madeira de faia queimada (potash of burned
beechwood) como um fundente para baixar o ponto de fusão da sílica. O uso da cal segue,
para estabilizar a mistura.
O vidro Medieval foi feito em fornos de cúpula com um vaso
de argila servindo como o base. Pó de óxidos metálicos, os mesmos
utilizados para fazer tintas, foram adicionados ao vidro fundido para produzir
uma gama relativamente estreita de cores: azul, purpura e verde.
Peças de vidro eram produzidos por meio de um cana que recolhia a massa quente do forno,
utilizando dois métodos, cada um dos quais tem início com uma bola de
vidro fundido em uma forma especial. A primeira, que
produz o vidro de manga (muff glass), levou
peças feitas a partir de um cilindro de vidro separada da cana, que seria marcado
e achatado ainda quando quente para produzir o vidro plano.
A outra técnica,
chamada de "Coroa " (Crown glass), começou como esferas sopradas e
giradas, achatando o vidro pela força centrífuga. Ambos são métodos demorados, acrescentando
muito o custo de vitrais na Idade Média.
Um único painel pode ser constituída
por centenas de peças individuais de vidro. As peças eram geralmente pequenas
e, muitas vezes falhas, contendo muitas impurezas, bolhas e bordas irregulares.
Estas imperfeições estão entre a atração especial do vitral medieval, conferindo-lhe uma característica unica de brilho e cor. Mais tarde, John La Farge e
Tiffany introduziu imperfeições em suas criações. Da mesma forma, Frank Lloyd Wright usou "vidro semeado"(seeded glass),
assim chamado porque ele por incorpora pequenas bolhas que dispersam a luz,
para criar uma qualidade de vibração.
PROCESSO DE PRODUÇÃO DO VIDRO
Vitral Românico: C. 1050-1150
Dependente do contexto arquitetônico para o seu desenvolvimento, os vitrais se tornam um destaque artístico até o design tradicional das igrejas ser radicalmente repensado no final do período românico. Provavelmente não é coincidência que nenhum exemplo intacto de vitrais tenha sobrevivido antes do século XI, que foi quando surgiram novas circunstâncias culturais e teológicas, favorecendo o crescimento da arte. Durante essa idade, aconteceram grandes mudanças culturais e intelectuais que conduziria a Europa da Idade das Trevas sem uma grande expansão de consciência. Para observadores contemporâneos, como o monge Cluniac Raoul Glaber, parecia que o mundo foi se refazendo.
O mais antigo exemplo de sobrevivência de vitrais, desde o Românico é a cabeça de Cristo da Abadia de Weissembourg, perto da Alsácia. A cabeça é pintada em vidro transparente, ou branco. A imagem é fortemente linear, com aplicação da grisalha com traços grossos, quase grotescos, dispostos na parte dos olhos, cabelo e barba, assim como a veladura ocre que modela as sombras.
Entre a cabeça Wissembourg e o trabalho seguinte sobrevivente de vidro colorido encontra-se uma quantidade considerável de tempo. Um grupo de quatro profetas da Catedral de Augsburg, sobrevive fora de um conjunto maior que data do século XI ou início do século XII.
Ao longo do séculoXII, uma segunda onda de prédios da igreja românica que começou principalmente envolveu a construção de catedrais. Os vitrais românicos atingiram o seu pico com os projetos de mudança da arquitetura eclesiástica no século XII.
HEAD OF CHRIST
MUSÉE DE L’OEUVRE DE NOTRE DAME
STRASBOURG, FRANCE
THE PROPHETS
CATHEDRAL OF SAINT MARY
AUGSBURG,
GERMANY
Vitrais Góticos
A dualidade da luz e história
O desenvolvimento de vitrais no período gótico é precedida
por uma longa história mal documentada.
Na nova forma, o opaco, arte estática pictórica da antiguidade
foi transformada em imagens carregadas com o princípio a luz.
A qualidade luminosa dos vitrais corresponderam aos
conceitos metafísicos de luz e espiritualidade desenvolvidas pelos primeiros
teólogos cristãos. O Vitral foi visto como um mediador entre os reinos terrenos
e divinos. A aura de luz colorida foi facilmente interpretada como uma
manifestação metafórica da força divina e do amor. E também era completamente
interligado para que os telespectadores entende-se em a representação de uma imagem
ou uma história com o que eles sentiam que era a fonte sublime de significado
para a história.
A origem do estilo gótico
A primeira vez em que houve uma retratação bem diferente de
temas espirituais foi aproximadamente em 1144 graças à luz e cor que
desempenharam um novo papel, enfatizando a imagem de “reino divino” em capelas
e ambientes afins.
BASÍLICA DE ST. DENIS
Situada em Paris e construída no século VII, passou por
alterações, assim sendo considerada o primeiro edifício verdadeiramente gótico.
As reconstruções não tiraram sua beleza excepcional. As janelas retratam a vida
de alguns santos, de uma forma sequencial lógica de acontecimentos importantes,
o que marca uma diferença da exposição de imagens religiosas em vitrais. Estes
equivalem a textos visuais explicando as experiências terrenas de figuras
sagradas no cristianismo.
O esquema de cores é complexo, há uma ênfase marcante na
vida terrena, dando as cenas uma realidade viva.
Os vitrais são incorporados a Basílica graças as suas
modificações estruturais, com a eliminação de paredes entre as colunas de
apoio, que possibilitaram a combinação de iluminação divina com luz natural.
Foi também o primeiro edifício a conter rosáceas.
A catedral
gótica: 1200-1250
A ascensão das grandes catedrais góticas foi em um dos
períodos mais dinâmicos da civilização ocidental. O lado espiritual da época
era forte e vibrante, a essência da inteligência divina foi sentida para ser
assim trazida do céu e derramada sobre a humanidade. Uma força e fé mais
potente ainda com a veneração de Maria como a Mãe de Cristo, sempre simpática e
amorosa universalmente, considerada então como a “Rainha dos céus”.
A maioria das catedrais foram iniciadas no séc. XIII e
muitas sobrevivem até hoje.
Como já retratado, a estrutura arquitetônica gótica
diferencia-se da românica por possuir aberturas entre os pilares ao eliminar os
suportes, promove à luz uma síntese dinâmica, tipicamente medieval.
ROSÁCEA
BASÍLICA ST. DENIS, PARIS
BASÍLICA ST. DENIS, PARIS
Catedral de
Chartres
A catedral de Chartres situada na França é o exemplo mais
antigo do pleno desenvolvimento da arquitetura gótica. Após passar por um
incêndio em 1194 e ser destruída toda praticamente, foi reconstruída e
finalizada em 1220.
Apesar de estar no contexto gótico, ela não possuía
aberturas nas paredes, o que resulta em uma escuridão notável em seu interior.
A maior parte do vidro contido na catedral data-se do século
XIII, e os temas retratados em seus vitrais são variados conforme os interesses
dos doadores. Um terço das janelas foi pago por guildas das cidades, nessas
janelas o sagrado e o profano se encontram e fundem-se. A qualidade de vida e o
ambiente comercial e urbano são decisivos para essas doações. O restante das
doações foi feito por eclesiásticos e pela realeza francesa. São janelas
vibrantes e em grande escala, modelo seguido pelas igrejas mais importantes
construídas posteriormente.
Uma das maiores glórias de Chartres são as rosáceas, obras
altamente complexas, tanto na técnica quanto em sua simbologia. O assunto geral
retratado é Maria ou Cristo no céu, sempre no centro de uma série de símbolos
organizados concentricamente. Foram pensadas como os “olhos do céu”, tanto pela
luz, como para os papéis de Cristo e Maria ao disseminar todo o conhecimento e
a salvação.
CHARTRES CATHEDRAL
CHARTRES- FRANCE
CHARTRES CATHEDRAL
CHARTRES- FRANCE
O ESTILO RADIANTE OU
GÓTICO TARDIO
Concentraram-se em Paris os maiores talentos franceses
reunidos pela corte Francesa durante o reinado de Luís IX no início do século
XIII. A apreciação da arte como experiência vital dava seus primeiros indícios.
As janelas tomam a maior proporção possível. O esquema
rendilhado que preenche o topo das janelas junto à grades é complexo e
altamente ornamentado. Um sistema fortemente linear e vertical.
Cores densas e saturadas são substituídas por tons mais
leves e menos contrastantes.
Esse estilo refletia a cultura urbana sofisticada da Corte
Real de Paris, o refinamento do vitral foi rapidamente espalhado para terras
germânicas, Europa central e Espanha.
Os vitrais produzidos em larga escala, espalharam-se em duas
ou mais áreas da janela, fato que permitiu mais luz para a catedral.
A liberdade dos artistas era como se fosse proporcional a
extensão das janelas. Assumindo cada vez mais um caráter decorativo.
Um estilo que sem dúvidas predomina na grandiosidade da
história dos vitrais.
SAINT-CHAPELLE
PIERRE DE MONTREUIL
PARIS, FRANCE
BIBLIOGRAFIA
Wyli, Elizabeth e Sheldon Cheek - The aet of stained and decorative glass.
http://www.vitrais-westminster.com.br/nt_html/29.html > acessado em 18 de abril de 2012 ás 15:00
http://lqes.iqm.unicamp.br/images/pontos_vista_artigo_divulgacao_vidros.pdf > acessado em 18 de abril de 2012 ás 15:05
http://abingerstainedglass.blogspot.com.br/search?updated-max=2010-09-26T09:45:00%2B01:00&max-results=7 > acessado em 18 de abril de 2012 ás 15:36
por Chayene Ferreira e Priscilla Pinheiro
sábado, 21 de abril de 2012
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