sexta-feira, 29 de junho de 2012

VITRAIS EM PORTUGAL (Séc. XV e XVI – Vitrais do Mosteiro da Batalha)


Vitrais

                       Portugal não tem uma forte tradição em vitrais. Difunde-se em Portugal nos séculos XV e XVI, quando a prática na arte dos vitrais já se encontra em um processo de decadência pela incorporação do estilo das pinturas em cavalete, o uso de vidros mais finos e maiores. E se efetiva no séc XVII com a difusão do uso de esmaltes. E no período renascentista se promove uma maior clareza espacial, favorecendo o uso de vidraças incolores.

Mosteiro da Batalha

                Em 1385 D. João I de Portugal mandou construir o mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha) em agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota (travada entre portugueses e castelhanos).

           Houve um verdadeiro surto de construções no séc. XV patrocinado pela ascensão e afirmação da Dinastia de Avis, promovendo a mobilização de jovens profissionais de diferentes países europeus como França, Itália e Alemanha. “O Mosteiro da Batalha transformou-se no centro português de criação de vitral.”


Tipologias

·         Diferentes composições devem-se as diferentes origens dos vitralistas.

  Os painéis sofreram muitas alterações ao longo dos anos, dificultando que se estabeleçam comparações entres eles.
A técnica de execução dos vitrais permitia uma diversidade de combinação de intervenções de diferentes artistas. Contudo é possível observar diferentes estilos no desenvolvimento das obras.



Fig. 01 – Anjo (Igreja).

(Segundo terço do séc. XV. Fonte fotográfica< http://livreiro-monasticon.blogspot.com.br/2011/05/barros-carlos-vitorino-da-silva-o.html> acesso em 30/04/12 às 00h01min.)
·       Uso de vidros brancos nas vestes e traços muito lineares.




Fig. 02 - Última Ceia – Fragmento (Igreja).

(Fonte fotográfica <http://www.mosteirobatalha.pt> acesso em 30/04/12 às 00h02min.)
·      Conferem-se mais cores e jogos de claros e de escuro, dando mais volume às figuras.



Fig. 03 - Bodas de Caná – Fragmento (Igreja) (imagem editada da capa do livro O Mosteiro da Batalha e o Vitral e Portugal nos séc. XV e XVI de Pedro Redol).

(Final do séc.XV e início do XVI. Fonte fotográfica <http://www.cm-batalha.pt/turismo-e-lazer/cultura/publicacoes> acesso em 10/05/12 às 5h02min.)

·         Trabalha-se mais a volumetria, e no caso deste pormenor, evidencia-se a participação de mais de um executor.




Fig. 04 – Pentecostes (Igreja).

(Segunda década do sec. XVI. Fonte fotográfica <http://www.mosteirobatalha.pt> acesso em 30/04/12 às 00h02min.)



Fig. 05 - Adoração dos Magos. (Igreja)

(Fonte fotográfica <http://www.mosteirobatalha.pt> acesso em 30/04/12 às 00h02min.)
·         É possível se notar variedade na composição e diferentes fisionomias.



Fig. 06 - Trítico da Paixão. (Sala do Capítulo)
 (Fonte fotográfica <http://www.flickr.com/photos/vidadevidro/2571566152/sizes/m/in/set-72157604346751117/ > acesso em 10/05/12 às 4h47min.)


Fig. 07 - Trítico da Paixão - Pormenor. (Sala do Capítulo). (Imagem editada da capa do livro  - O VITRAL EM PORTUGAL.Séculos XV-XVI de Carlos Vitorino da Silva Barros.) 
(Fonte fotográfica <http://homemdoslivros.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html acesso em 11/05/12 às 4h05min.)



Fig. 08 - Retrato do rei D. Manuel com os filhos e um frade dominicano- Pormenor. (Igreja)

(Fonte fotográfica <http://www.mosteirobatalha.pt> acesso em 30/04/12 às 00h02min.)




CONSERVAÇÃO

Qualquer alteração só deve ser permitida quando contribui decisivamente para sanidade da obra.
·         Parar uma melhor conservação faz-se necessário compreender o que motivou as patologias, como também os recursos tecnológicos empregados na sua produção.
·         A redução de encomendas acaba por diminuir a mobilidade dos vitralistas pela restrição de trabalhar apenas para a manutenção dos vitrais, voltando-se a uma prática mais familiar, mais local.
·         Por conta das perdas patrimoniais de vitrais sofridas durante a 2ª Guerra Mundial, foi criado em 1952 pelo Comitê Internacional de Historia da Arte, o Corpus Vitrearum Medi Aevi; cujo papel é publicar os inventários para salvaguarda dos vitrais sobreviventes.
·         Dentre as dificuldades de se inventariar os vitrais, está passagem de luz que não permite registros fotográficos equiparáveis. Para que possíveis alterações cromáticas sejam diagnosticadas.
·         As patologias opacidificantes dos vidros que ocorre com a migração de sais alcalinos para a superfície prejudicando também a pintura que é igualmente de material vítreo.
·         “Os vitralistas estiveram (...) durante muito tempo corporativamente associados (...) aos pintores.”. Nos finais do séc. XV sucede-se a particularização dos vitralistas de acordo com o desempenho da arte.
·         Mas o próprio ofício de produção dos vitrais não era autônomo, necessitando de outros técnicos. O mestre “picteleiro” executa trabalhos com o chumbo e o estanho. E os vidros não eram produzidos em Portugal; eram trazidos de outros lugares, como Flandres por exemplo.
·          Os vidros mais antigos apresentam corrosão mais adiantada, provavelmente pela elevada quantidade eu recebiam de fundente na sua composição. Já os vidros do séc. XV são mais estáveis devido aos compostos de chumbo.
·         Muitos vidros foram reaproveitados em restaurações; alguns fragmentos que foram remontados perderam seu contexto e coerência.
  A estrutura metálica do vitral, as calhas e barras de fixação, foram ao longo dos tempos menos estudadas se comparadas às demais peças da composição do vitral.
  Apesar de se ter uma maioria favorável a manutenção das calhas originais, a convicção de que sejam mais resistentes não é unânime.
  Oxidação das barras e formação de mínio (óxido de chumbo, também conhecido como zarcão) nas calhas, são as patologias mais facilmente observadas. Nestes casos, sendo recomendada a substituição por materiais menos instáveis que o ferro e o chumbo.
·         Na Capela do Fundador os painéis foram objeto de reparos ao longo dos séculos. Apenas os restauros entre 1931 e 1939 encontram-se devidamente documentados; daí a importância do estudo histórico para eu não se percam informações.
Por Melania Veras


·         A casa real era quem fazia as principais encomendas de vitrais no século XV e XVI. Passado esse período, a coroa passou a se preocupar mais com a preservação dos vitrais já existentes (como consta no Contrato de 1529).




RESTAURO

·         A maioria das intervenções era feita em oficinas particulares, contando apenas por vezes com um historiador de arte e técnicos de conservação além dos vitralistas.



FONTES DE PESQUISA

REDOL, Pedro. O Vitral - História, Conservação e Restauro. Lisboa: Publimpressores – Artes Gráficas, 2000.

Vídeo do mosteiro da batalha no site: <http://www.mosteirobatalha.pt/pt/video/myVideo.php?video=../data/flv/MB_pt/mosteiro_batalha.flv> acesso em 30/04/12 às 00h07min.


Por Melania Veras



sábado, 23 de junho de 2012





Aí está alguns dos membros do blog em uma pesquisa de levantamento de vitrais de Rio Grande - RS.

domingo, 10 de junho de 2012

O vitral no Rio Grande do Sul

 O vitral no Rio Grande do Sul



Bianca Gonçalves
Flávia Faro
Jairo Kaster 



 A partir do século XX é que se dá o surgimento dos principais exemplares de vitrais produzidos em território nacional. O Século foi marcado por diversos movimentos como: Belle Époque, as Grandes Guerras e o período entre guerras além de grandes invenções, desenvolvimento político, econômico e aumento na expectativa de vida.

No Brasil a produção de vitrais nacionais se dá nesse período já de forma que consiga abastecer o mercado interno, espalhando-se pelas capitais as grandes Casas como a Casa Conrado, em São paulo, Casa Genta e a Casa Veit, percussoras no Rio Grande do Sul.

O RS possui influência artística e arquitetônica do estilo eclético derivados do século XIX, momento em que o charque está em grande desenvolvimento, na região sul, e onde ostentar a cultura e a arte estava em alta, status social. Muitas edificações eram construídas com ricos detalhes, como os vitrais.

No século XIX, na Europa, o vitral tem um valor funcional e de decoração pela possibilidade de uso de novos materiais (como ferro e o aço), porém não apresenta o mesmo valor catequético de antes da decadência que se dá entre os séculos XIV e XV. Decadência esta, muitas vezes explicada uso de recursos, como o uso de perspectivas, que aproximam os vitrais das pinturas de cavalete, com os valores renascentistas (fig. 1) . As imagens sacras foram substituídas pelos planos dogmáticos da Igreja por cenas com fundos e uma nova espacialidade. Segundo WERTHEIMER (2011, p.53), a produção do vitral contemporâneo foi marcada pelo uso de desenhos de diversas formas, além dos religiosos, como era de costume.

Figura 1: Vitral Frances típico do século XIX com valor funcional, uso de perspectivas e aproximação com a pintura, cena com fundo e plano dogmático. Fonte: Wertheimer, 2011p.49


No RS o estilo dos vitrais predominava imagens figurativas, marca de doadores e cercaduras, muito comuns nos vitrais europeus até fins do século XX. Entre os percussores vitralistas estão: alemão José Wollman e da Vidraçaria Porto-Alegrense os ateliês Casa Veit e Casa Genta.
José Wollman (1851 - 1932) chegou ao Brasil, vindo de Boêmia, se instalou no Rio de Janeiro e por não agüentar o clima tropical mudou-se para o sul do país instalando-se inicialmente nas proximidades de São Sebastião do Caí. Posteriormente deslocou-se para Porto Alegre onde montou seu ateliê perdurando até sua morte. Entre seus trabalhos estão: os painéis da antiga igreja Menino Deus (fig. 2), de Porto Alegre, os vitrais da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul de 1906 (fig.3), e os vitrais das janelas da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (fig.4).


Figura 2: Igreja gótica Menino Deus, 1940. Porto Alegre. FONTE: Publicada por Ronaldo Bastos.

 

Figura 3: Fachada do prédio do Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Porto Alegre, (imagem direita). Vitral “Doutrina Jurídica” localizada na lateral deleitada escadaria do Prédio do Curso de Direito da Universidade (imagem esquerda)

 

 

Figura 4: Vitral da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Fonte: Wertheimer, 2011; pg. 64



CASA VEIT
Um dos ateliês de vitrais mais importantes de Porto Alegre, coordenado pela família Veit de origem alemã. Inicialmente Albert Gottfried Veit (fig. 5 e 6) coordenava o ateliê passando posteriormente para os filhos e neto. A família veio para o Brasil e instalaram-se nas proximidades de Erechim (Precisamente na cidade de Gaurama a 17,3Km de Erechim – Rio Grande do Sul) e para assim se dedicar a agricultura. Como José Wollman, Albert Veit não se adaptou a nova vida, muito precária. Em 1915, Albert e sua família migram para Porto Alegre. Albert foi por muitos anos empregado na Vidraçaria Artística de Antônio Seitz (Localizada na Alemanha ). Com a experiência de vitralista ali adquirida juntamente aos filhos e ao neto decidiu montar seu próprio negócio a Vitraux e Arte Veit e posteriormente a Casa Veit que se localizava no centro de Porto Alegre na década de 50. 

      Figura 5: Ateliê Casa Veit. Fonte: Wertheimer, 2011 Pg.65

             Figura 6: imagem de Albert Veit        

 

Os primeiros trabalhos da família Veit não eram assinados, como se foi feito mais adiante onde assinavam como: Veit e Filho, Veit e Hans Veit, porém não datados (fig. 7). 

       Figura 7: Assinatura Veit e Filho do vitral fabricado pela Casa Veit

Nos anos de 1920 e 1930 o ateliê esteve em um momento de grande produção sendo reconhecido e merecedor de prêmios como medalhas. Uma das obras da Casa Veit são os vitrais da Catedral da cidade de Santa Cruz – RS (fig. 8), cuja qual esta entre os principais trabalhos juntamente com igreja São José, em Porto Alegre (fig.9 e 10) e a Catedral de Pelotas (fig.11).  

 

Figura 8: Vitral da Catedral de Santa Cruz do Sul. Publicada por Elio Abe, 2009.

Figura 9: Vitral e retábulo do altar, Igreja São José, Porto Alegre - RS      

   Figura10: Detalhe de do vitral “Santa Catarina”, Igreja São José, Porto Alegre – RS. Wertheimer, 2011 pg. 67   


                Figura 11: Vitral “Santa Clara” Catedral São Francisco de Paula, Pelotas – RS. Wertheimer, 2011  

    

Uma das características dos vitrais Veit era o traçado requintado, hachuras nos quais deixaram de ser realizados após a morte de Albert Veit que faleceu em 1934. Os vidros opalinos e opalescentes eram muito usados, principalmente em fachadas. 
 

Após a morte de Albert, seu filho Albert Josef continuou o trabalho da Casa Veit, porém veio a falecer em seguida, assim o filho mais novo Hans deu continuidade. Nessa nova equipe que o filho mais novo comandava estava seu filho, Waldir Veit, que trabalhou dos 15 aos 25 anos, com a morte de Hans nos anos 70, a empresa fechou as portas.

 

Casa Genta
Tendo como fundador Antônio Genta (fig. 12), uruguaio nascido em Montevidéu (1879-1943), a Casa Genta inicia sua história em 1906 em Porto Alegre - RS.
 

Filho do italiano Giuseppe Genta e da uruguaia Balbina Salaberry, em meados de 1906, Antônio Genta casou-se com Albertina Sofia Fisher e desde então começou a trabalhar com vidros, juntamente com seu irmão Miguel Aníbal Genta e seu cunhado Arthur Felipe Fisher.
 

Figura 12: foto da família Genta: Antônio Genta, Giuseppe no centro, Antônio em pé e Miguel no colo, em Buenos Aires, 1886.
Fonte: Foto Cedida por Iara Haubert Rodrigues.

 A Arte de trabalhar com vidros foi ensinada desde cedo a Antônio e Miguel Genta, visto que Giuseppe, logo após emigrar da Itália para o Uruguai, passou a exercer a profissão que lhe foi passada em Gênova e Altari, reproduzindo assim a arte veneziana. Em Montevidéu, fixou-se com uma indústria de vidros e espelhos, onde provavelmente seus filhos aprenderam o ofício, que anos depois criou vulto na capital gaúcha.

Em 1913, enquanto Antônio administra os negócios, seu irmão Miguel viaja para Europa com o propósito de conhecer novas técnicas, materiais, maquinários e artesãos, onde permaneceu até meados de 1921 em virtude da I Guerra Mundial. Com o retorno de Miguel, a empresa tomou maior porte e uniu-se a Helmuth Shimidt Filho (sobrinho de Albertina Fisher), quando passou a girar sobre o nome empresarial “Casa Genta – M.Genta, Shimidt & Cia”.

Com a força dos artesãos europeus, na segunda fase da empresa, tendo em vista os belos trabalhos em vidro, vitrais e vitrines, a Casa Genta foi premiada com medalha de bronze na exposição de Chicago, medalha de ouro em 1925 pelos Cinqüenta anos da Colonização Italiana no Estado, bem como em 1935, comemoração ao centenário da Revolução Farroupilha, Porto Alegre - RS. 

A Casa Genta, o maior ateliê do Estado do Rio Grande do Sul, fundado por Antônio Genta, funcionou no período de 1940 a 1980. Os dois principais pintores que atuaram na fabricação dos vitrais foram o espanhol Mestre Francisco Huguet e o alemão Maximiliam Dobmeier.” (WERTHEIMER , 2011 pg. 20; p/2).


Como diferença entre os vitrais da Casa Genta e da Casa Veit podemos muitas vezes perceber a vibração cromática obtida pelo maior uso e do uso de vidro branco, na Casa Veit, e de importados como fazia a Casa Genta. Podendo ser esse um diferencial em relação a própria estrutura dos ateliês, levando em conta que o trabalho com as cores e a composição das imagens que se diferenciam muito umas das outras. Ambas as casas também apresentam diferença na estrutura e apresentam riqueza no trabalho das cercaduras. 

Nos dois grupos de vitrais, a cena se desenrola no interior de um elemento arquitetônico, são arcos poliglobados apoiados por colunas. Esta estrutura se repete na produção dos dois ateliês, lembrando baldaquinos, mas com um caráter mais clássico e não gótico, como são comumente representados em vitrais de Porto Alegre (WERHTEIMER, 2011 pg. 156/ 157)

No Rio Grande do Sul as Igrejas com vitrais considerados exemplos de contemporaneidade estão: Igreja St. Antônio do Partenon, Porto Alegre; Catedral e Igreja St. Cecília, Porto Alegre; Igreja São Pelegrino, Caxias do Sul; Catedral São Francisco de Paula, Pelotas. (GALVÃO, 2000. Pág. 14/p.3)

 

Igreja St. Antônio do Partenon

A igreja Santo Antônio do Partenon (fig. 13) Possui mais de 20 vitrais cujos quais retratam a vida de St. Antônio segundo a passagem da bíblia, sendo a maioria doação de fiéis. Igreja localizada no Bairro St. Antônio, em Porto Alegre. Começou a ser construída em 1928 sendo finalizada em 1932 pelos cuidados de Casagranda. Os materiais, em maioria, vieram da Inglaterra, França e Alemanha, sendo alguns dos vitrais provenientes da França (fig. 14). Os primeiros vitrais, da atual sacristia e “lojinha”, os restantes foram produção da Casa Genta, de Mestre Huguet.(fig. 15)
 

Figura 13: Fachada da Igreja St. Antônio do Partenon, em Porto Alegre. 


  Figura 14: Vitrais provenientes da França, relatam a vida de St Antônio. Igreja St Antonio do Partenon – PoA/ RS


Figura 15: Vitrais produzidos pela casa Genta. Retrato da vida de St Antônio. Igreja St Antonio do Partenon - PoA/ RS


Além dos vitrais já citados, também podem ser encontrados exemplares em diversas outras partes do estado do Rio Grande do Sul. Entre as Igrejas que mais se destacam no RS estão, a Igreja St Cecilia em Porto Alegre onde contém exemplares de Mestre Huguet (Fig. 16). Na cidade de Pelotas há a Catedral São Francisco de Paula (fig. 17, 18, 19), é considerado o mais importante templo religioso do município construído em 1813. Os afrescos de seu interior se destacam por sua beleza, produzidos pelo pintor italiano, Aldo Locatelli a convite do bispo de Pelotas, Dom Antonio Záttera. Estes afrescos são considerados o maior trabalho de Locatelli, juntamente com a via sacra da igreja São Pelegrino de Caxias do Sul.

A Igreja de São Pelegrino de Caxias do Sul possui uma existência invulgar de vitrais das janelas brancas (fig. 20), típicas de construções Cistercienses, onde possuem pouca ligação com o luxo e a ostentação. Destaca-se pelos afrescos de Aldo Locatelli.

A influência portuguesa nos vitrais gaúchos é irrelevante, o estado recebeu grandes influências européias como da Alemanha e Itália, grandes tradicionalistas na técnica. A importação de materiais pela Argentina e Uruguai, próximas ao estado contribuíram para a influência das técnicas destes países.

 

Figura 16: Vitral pintado por Mestre Huguet, Casa Genta, 1943. Disponibilizada por Fernando Barroso


Figura 17: Fachada da Catedral São Francisco de Paula, Pelotas – RS


Figura 18: Vitrais no interior da Catedral de São Francisco de Paula. Pelotas – RS


Figura 19: Vitrais no interior da Catedral São De Francisco de Paula. Pelotas – RS. Fonte: 360° CIDADES


 Figura 20: Vitrais contemporâneos do interior da Igreja São Pelegrino, Caxias do Sul


 


REFERÊNCIAS

BLOG, Álbum de família. Imagem 6, Hans Veith. Disponível em: http://artestirpe.blogspot.com.br/ Acessado em Abr. 2012
BLOG. Porto Alegre Uma História Fotográfica. Imagem 2, Igreja Menino Deus. Disponível em: http://ronaldofotografia.blogspot.com.br Acessado em Abr. 2012
BLOG, Antigualhas, histórias e genealogia. Informações sobre a família Genta. Disponível em: http://pufal.blogspot.com.br/2008/08/casa-genta-m-genta-schmidt-cia-i.html Acessado em Abr. 2012
CAXIAS DO SUL, turismo. Dados sobre a Igreja. Disponível em: http://www.caxiasdosul.tur.br/ponto_turistico/igreja_sao_pelegrino-caxias_do_sul-24-1-16-4.html Acessado em Abr. 2012
COMISSÃO ARQUEDIOCESANA DE ARTE SACRA, Arque Diocese de Porto Alegre – RS. Imagem 15. Disponível em: http://www.caas-portoalegre.org.br/noticias/rel_noticias.htm Acessado em Abr. 2012
GALVÃO, Antonio Mesquita; GALVÃO, Carmen Silvia Machado. Os vitrais da Igreja Santo Antônio do Partenon. Ano 2000, p. 87.
O MELHOR DO BAIRRO, informações sobre Porto Alegre. Imagem 13. Disponível em: http://www.omelhordobairro.com.br/portoalegre-partenon/historia Acessado em Abr. 2012
PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO DO PARTENON, imagens figuras 14. Disponível em: http://www.paroquiasantoantoniodopartenon.org/ Acessado em Abr. 2012
PELOTAS VIP, turismo. Informações sobre a catedral São Francisco de Paula e imagem 17 Disponível em:  http://www.turismo.pelotasvip.com.br/arquivos/catedral_sao_francisco_de_paula.htm Acessado em Abr. 2012
TREAKEART, Learning about the world through photography. Imagem 8. Disponível em: http://www.trekearth.com/members/ELIO_ABE/ Acessado em Abr. 2012
WERTHEIMER, Mariana Gaelzer. A ARTE VITRAL DO SÉCULO XX EM PELOTAS, RS. Mestrado em Memória Social e Patrimônio Cultural. Universidade Federal de Pelotas, 2011.
WIKIMEDIA COMMONS. Repositório de arquivos de mídia, imagem 3, vitral “Doutrina Jurídica”. Disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Direito-ufrgs-4.JPG Acessado em Abr. 2012
WIKIMEDIA COMMONS. Repositório de arquivos de mídia, imagem 3, vitral “Ciência”. Disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Direito-ufrgs-5.JPG Acessado em Abr. 2012
WIKIMEDIA COMMONS. Repositório de arquivos de mídia, imagem 9, vitral e retábulo. Disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Igreja_S%C3%A3o_Jos%C3%A96.jpg Acessado em Abr. 2012
360° CIDADES, giro 360° imagem 18, 19. Disponível em: http://www.360cidades.com.br/place/catedral-sao-francisco-de-paula-pelotas-rs/ Acessado em Abr. 2012



quarta-feira, 6 de junho de 2012



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vitrais no Brasil



Até a década de 1880 os vitrais que existiam no Brasil eram todos importados da Inglaterra, França e Alemanha, com preços muito altos.
Em São Paulo o artesão Conrado Sorgenicht, alemão que chegou no país em 1874, abre uma pequena oficina onde oferece serviços de pintura de ornamentos, tapeçaria e colocação de vidros para vidraças. Conrado Sorgenicht teve a idéia de decorar vidros lisos e transparentes com gravações à ácido e obteve excelentes resultados.
Lutava-se contra deficiências técnicas, não havia vidros planos, apenas em chapas, somente os vidros soprados de produção manual em pequenas dimensões.
O ateliê cresceu e começou a produção de vitrais. Em 1889, é fundada a Casa Conrado, especializada na atividade do vitral.
No começo os vitrais brasileiros tinham muita influência dos europeus, porém, começa a surgir uma tendência, o domínio gradual da temática brasileira, por volta do fim da 1° Guerra Mundial. Um dos primeiros trabalhos com essa temática foi o vitral da Bolsa do Café de Santos e São Paulo.



O Prédio da Bolsa do Café abriga o vitral feito por Benedito Calixto


Essas características são marcadas pela paleta de cores mais cores tropicais e uma narrativa da a história nacional: fundação de cidades, a borracha, o café, a mitologia indígena, a interpretação brasileira dos evangelhos, as flores e as frutas, etc. Tornam-se completamente diferentes dos europeus, que tinham menos movimento e outros conceitos.
Em 1922 isso se torna ainda mais evidente com a Semana de Arte Moderna e a Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência.
No mesmo ano chega ao país o italiano César Alexandre Formenti com o seu filho, o pintor Gastão Formenti que também passa a se dedicar aos vitrais no Rio de Janeiro.
As atividades de ateliês como o de Conrado Sorgenicht mais ainda os trabalhos realizados pelos Formentis, no Rio de Janeiro, Heinrich Moser em Pernambuco, Casa Genta e Veit no Rio Grande do Sul e ainda Manoel Castro Garcia e Urbam em São Paulo, levaram o Ministério da Fazenda, em 1935, a reconhecer que a produção nacional de vitrais era bastante satisfatória para abastecer o país e suspendeu a sua importação.




               Casa Conrado

Como foi ressaltado anteriormente, a Casa Conrado foi pioneira no país. Existem centenas de catedrais, matrizes, basílicas, capelas, colégios, faculdades, dispensários, sacristias, asilos, bibliotecas, mercados municipais, ministérios, fóruns, hospitais, orfanatos, cinemas, exposições industriais, casas missionárias, santas-casas de misericórdia, conventos, círculos operários e residência com vitrais Conrado por todo país. Não há nenhum estado que não possua ao menos uma obra projetada pela casa.
Nos anos de 1940, a Casa Conrado foi absorvida pela Companhia Comercial de Vidros do Brasil, CVB, que queria fazer um monopólio da produção de vidros no país. Porém, anos mais tarde a CVB fracassou e Conrado prosseguiu.
Há alguns anos, Conrado afirmava: “Nossa atividade, em momento algum, deixou de ser artesanal. (...) e por isso não existem dois vitrais iguais no país”. (Brandão, 1994)

TIME: A fórmula do Vitral
É a fórmula recomendada por Conrado Sorgenicht, para analisar a qualidade do vitral. T é o tema, I é a interpretação, M é a matéria prima e E é a execução.

No Mercado Municipal de São Paulo, são 55 vitrais, com temas referentes à agricultura brasileira e ao trabalhador do campo, realizados entre 1928 e 1933.







Heinrich Moser

Heinrich Moser nasceu em Munique na Alemanha em 1886. Veio para o Brasil em 1910 quando sua tia Júlia Doederlein, o convidou para projetar a Casa Alemã em Recife. Desde então não saiu mais do país.
Em 1821 comprou uma prensa (fieira) de chumbo alemã do século XVIII e finalmente entrou para o vitralismo. Um de seus primeiros trabalhos foi a Basílica do Carmo em Recife, quando ainda nem possuía o aparelhamento necessário. Além de vitrais, produzia murais, pinturas sobre teto, esculpia santos e desenhava altares.
Seus vitrais tinham as cores quentes do nordeste, as figuras típicas e a história, ao lado do sacro. Moser ainda lutava contra condições desfavoráveis, não tinha nascido dentro da arte do vitral, tudo que fazia demandava muitas pesquisas e experimentações.
Tinha um estilo muito peculiar, usava da experiência de muralista. Utilizava vidros plaqué para conseguir efeitos especiais, pois a película sobreposta era retirada com ácido e isto proporcionou inúmeras possibilidades ornamentais.
Heinrich Moser contribui também para a fundação da Escola de Belas Artes, além de ter sido mestre de uma série de grandes artistas como Lula Cardoso Ayres e Laerte Baldini.

Palácio Campo das Princesas, Recife

                                    Fonte: < http://brasilartesenciclopedias.com.br/>



Lorenz Heilmar

Em 1953 Lorenz embarcou para o Brasil e em Porto Alegre, Lorenz foi trabalhar em um estabelecimento com grande tradição vitralista, a Casa Genta, com trabalhos espalhados por todo estado.
A Casa Genta não concordava com gastos representados por vitrais fora do seu catálogo, o único trabalho original que Lorenz participou naquela época foi na Igreja do Rosário, Porto Alegre, junto a Benedito Calixto, o arquiteto. Lorenz então, se demitiu e acabou indo para Blumenau, Santa Catarina, onde o esperava um projeto grandioso: 800 metros quadrados de vitrais para a catedral.
Na época não existia vidro colorido no Brasil, mas os franciscanos tinham facilidades e influências e trouxeram tudo que foi pedido. A mão-de-obra veio da própria região. Depois retornou para Porto Alegre levando alguns de seus aprendizes e em 1956 abriu a Arte Sul. Até firmar-se na luta contra os grandes do ramo, Casas Genta e Veit, percorreu todos os cantos do Rio Grande do Sul.
Após alguns anos, o mercado na região Sul do país se retraiu e ele resolveu tentar São Paulo. Instalou-se na capital paulista, e após muita procura encontrou uma velha fábrica de cerâmica chamada Morumbi, onde a Arte Sul começou uma nova etapa. Mesmo com as restrições a importações e o monopólio que a CVB exercia, Lorenz resolveu fabricar vidro, ao mesmo tempo em que ganhou uma grande concorrência, a de criar os vidros para a catedral do Rio de Janeiro, eram 4 painéis de 70 metros por 20 metros
Catedral do Rio de Janeiro

                                         Fonte: < http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/>


Foi para Alemanha conhecer o funcionamento de grandes fábricas de vidro. Ao voltar a fábrica foi aberta e a produção iniciada, um incêndio destruiu todas as instalações e recomeçaram tudo. “Os Heilmairs criaram uma nova técnica para a junção dos vitrais da catedral, em concreto, por causa das grandes dimensões”. (Brandão, 1994) É a Técnica Dalle de Verre ou Slab Glass.
Voltaram para a região Sul do país e em Curitiba, Paraná, abriram a Vitralis, que alem de vitrais entrou no ramo de luminárias e divisórias, cuja base tinha a mesma estrutura do vitral. A Vitralis também fez o projeto dos vitrais para a Basílica de Aparecida, São Paulo.
Nos vitrais da Caixa Econômica Federal de Brasília (DF), Lorenz Heilmair teve a proposta de representar os estados e territórios brasileiros, em 1978. Ele escolheu uma cor diferente para cada região: o amarelo representa o Nordeste, a cor verde a região Centro-Oeste, a cor turquesa a região Sudeste, a cor azul a região Sul, vermelho a região Norte e a cor laranja os territórios. 

                                   Fonte: < http://hfanti.wordpress.com/>



Marianne Peretti

              Marianne Peretti descende de mãe francesa e pai pernambucano e cresceu em Paris no meio de artistas, poetas e jornalistas. Marianne tem seu ateliê em Olinda, Pernambuco, onde trabalha com diversos materiais, não somente vitrais e gosta muito de misturar técnicas.
            Um de seus projetos é o dos vitrais da Catedral de Brasília, considerado um dos maiores do mundo. Para desenhá-lo, ela usou o chão de um ginásio de esportes, o Nelson Nilson. Muitas vezes os desenhos tinham que ser retirados do ginásio, pois este tinha que ser devolvido ás funções originais. Isso fazia com que perdessem de 10 a 12 dias.
            São 16 vitrais de 130 metros quadrados cada um, com coluna no meio. Cada vitral tem 30 metros de altura e 10 metros na base. O trabalho durou 11 meses. Quem fabricou os vidros da Catedral de Brasília foi Emílio Zanon, no Rio Grande do Sul.
            Foram restaurados em 2010 e Marianne esteve presente durante a execução. 

Fonte:<http://adbr001cdn.archdaily.net/wpcontent/uploads/2011/12/1323952422_augusto_areal_2.jpg>



      Fonte: < http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg>



           Mais de 120 anos de arte vitralista no Brasil

No Brasil muitas pessoas vêm se dedicando a arte do vitral, mesmo que sejam vertentes como divisórias, luminárias, portas, janelas e eventuais restaurações. Mesmo assim, são poucos, pois um curioso levantamento revelou que somente no Rio Grande do Sul, entre igrejas, conventos e residências, existem mais de 6 mil vitrais esperando por restauradores. Sabe-se que o acervo brasileiro de vitrais é bastante grande, uma parte mínima foi restaurada, perdem-se obras valiosíssimas. Não se fez ainda o levantamento total do que possuímos.
Muitos estúdios que se dedicam a vitrais para residências trabalham com fibra de vidro, acrílico e plástico, técnicas que os vitralistas não consideram legítimas,  pois não possuem estrutura de chumbo nas junções e soldaduras além de serem elementos que sofrem muito com a ação do tempo. Na igreja de Osasco, em São Paulo, foi utilizada uma resina que no espaço de alguns anos perdeu todas as cores. O verdadeiro vitral permanece por milênios.
Segundo Luis Fernando Marques Nunes uma das causas do pouco conhecimento sobre vitrais no país pode ser a falta de Literatura sobre o assunto. É escassa em livrarias e completamente inexistente em bibliotecas. 
           
                                                                                                                                                                           

Referências Bibliográficas


BRANDÃO, Ignácio de Loyola, Luz no Êxtase: Vitrais e Vitralistas no Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 1994.

<http://adbr001cdn.archdaily.net/wpcontent/uploads/2011/12/1323952422_augusto_areal_2.jpg >Acesso em 18 abril 2012

< http://www.superbrasilia.com/aquarela/aq_catedral_a_noite.jpg > Acesso em 18 abril 2012

< http://luiznevesufrj.blogspot.com.br/ > Acesso em 18 abril 2012

< http://brasilartesenciclopedias.com.br/ > Acesso em 19 abril 2012

< http://hfanti.wordpress.com/ >Acesso em 19 abril 2012

<http://www.piratininga.org/mercado_municipal/mercado_municipal_vitral.jpg> Acesso em 19 abril 2012

<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000109223>   Acesso em 2 junho 2012

<http://viajamos.com.br/photo/vitral-a-vis-o-de-anhanguera-bolsa-do-caf-santos-1> Acesso em 8 junho 2012


                                                                                  Marina Perfetto Sanes